Por Patricia Rodrigues.
Nas sessões, costumo dizer para meus pacientes que não é sobre quem foi bom ou mau. O foco não é entender quem me fez mal — embora isso também tenha seu lugar —, mas olhar para si. Porque é lá, dentro de nós, que estão todas as chaves.
Com o tempo, o autoconhecimento vai nos mostrando algo essencial: começamos a compreender por que certas pessoas, com determinados perfis, permanecem ou retornam à nossa vida. Essas repetições não são coincidência — são convites para olhar o que ainda não foi curado em nós. Se pararmos para pensar, quase todo mundo acredita estar fazendo o certo. Raramente alguém diz: “fiz isso porque quis ser mal”.
As pessoas justificam suas atitudes com boas razões, e é assim que o mundo acaba se tornando uma grande cascata de pessoas feridas, tentando fazer o que acham certo — e, sem perceber, ferindo umas às outras. São pessoas não tratadas, apenas fazendo o que dá. No fim, não se trata de vilões ou mocinhos.
Porque, se todo mundo se vê como o mocinho — afinal, cada um conhece suas dores e acredita em suas boas intenções —, o que realmente nos diferencia é quem está disposto a se conhecer. A reconhecer suas feridas e, enfim, parar o ciclo de ferir a si e aos outros.
