Com a chegada do fim do ano, cresce entre líderes e equipes a sensação de cansaço extremo, irritabilidade e perda de sentido no trabalho. Para a psicóloga Dra. Juliana Veloso, especialista em relacionamentos familiares, liderança e desenvolvimento humano, esse esgotamento vai além do volume de demandas e revela um problema mais profundo: a sobrecarga emocional acumulada ao longo do ano.
“O que muitas pessoas chamam de ‘cansaço de fim de ano’ é, na verdade, um sistema emocional funcionando em modo de sobrevivência. Decisões solitárias, conflitos não elaborados, metas excessivas e ausência de reconhecimento criam um ambiente silenciosamente adoecedor”, explica.
Segundo a especialista, liderar não é, por si só, um fator de adoecimento. O problema surge quando a liderança ignora os impactos emocionais das relações no ambiente de trabalho. “Metas sem consciência emocional até geram resultado no curto prazo, mas cobram um preço alto no médio e longo prazo. Equipes não adoecem sozinhas; elas refletem o estado emocional de quem lidera”, afirma.
Dra. Juliana destaca que a autossabotagem, comum nesse período do ano, não deve ser interpretada como falta de disciplina ou competência. “Na maioria das vezes, é o corpo e a mente sinalizando que os limites foram ultrapassados. Ignorar esses sinais é manter um ciclo de desgaste que se repete ano após ano.”
Para a psicóloga, o fim de ano deveria ser um momento estratégico de revisão, não apenas de planejamento. “Antes de projetar metas para o próximo ciclo, líderes precisam olhar para como se relacionaram com pessoas, limites e consigo mesmos. Reconhecimento real, conversas difíceis bem conduzidas e ambientes emocionalmente seguros são fatores determinantes para resultados sustentáveis.”
A especialista reforça que celebrações e confraternizações corporativas só fazem sentido quando refletem coerência entre discurso e prática. “Festas não resolvem relações fragilizadas. Vínculos saudáveis são construídos ao longo do ano, com clareza, responsabilidade e maturidade emocional.”
No Brasil, 86% dos profissionais enfrentam problemas mentais no trabalho
Dados recentes revelam uma crise silenciosa nas empresas: segundo pesquisa da Creditas em parceria com a Opinion Box, 86% dos trabalhadores brasileiros já relataram problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, como estresse, ansiedade e insônia. Para a psicóloga Juliana Veloso, esse cenário exige iniciativa rápida tanto de funcionários quanto de gestores.
“Não é mais aceitável que esse sofrimento emocional seja empurrado para debaixo do tapete corporativo, porque não some, só piora”, afirma Juliana. Ela destaca que a mentalidade de “aguenta que passa” atrapalha a construção de ambientes saudáveis nas empresas.

Na visão da psicóloga, tanto empregados quanto chefes têm papel fundamental para mudar essa realidade. “Cuidar da mente no trabalho não é filantropia: é investimento em produtividade, retenção e em pessoas inteiras, que trabalham melhor quando estão bem”, conclui.
Sobre Dra. Juliana Veloso
Psicóloga, especialista em psicologia sistêmica, relacionamentos, liderança, PNL, mindfulness e desenvolvimento humano. Atua no acompanhamento de líderes, famílias e equipes, com foco em consciência emocional, responsabilidade relacional e construção de ambientes saudáveis e sustentáveis.
